DOU 12/09/2022 - Diário Oficial da União - Brasil

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Nº 173, segunda-feira, 12 de setembro de 2022
ISSN 1677-7042
Seção 1
Nota: A perda térmica específica dos reservatórios em função do volume de
armazenamento (EA ,res,sby) poderá ser calculada por meio da Equação 7.2 nos casos em
que este valor não seja fornecido pelo fabricante. O valor resultante da Equação 7.2 deve
ser multiplicado por 2 antes de ser incorporado na Equação B.IV.28.
Os sistemas sem armazenamento de água mais comuns são o chuveiro
elétrico, usado também como sistema de referência, e os aquecedores de passagem. As
recomendações são as mesmas para o sistema com acumulação.
B.IV.7. Eficiência dos equipamentos aquecedores de água
Quando o sistema de aquecimento conta com apenas um aquecedor, a
eficiência do sistema de equipamentos de aquecimento deve ser igual à eficiência do
aquecedor.
Quando o sistema de aquecimento que atende a demanda total é composto
por mais de um aquecedor, a contribuição de cada aquecedor deve ser calculada por
meio da média ponderada da eficiência dos aquecedores pelas potências nominais de
cada aquecedor.
Quando o sistema de aquecimento atende parte da demanda total, as
contribuições devem ser calculadas de forma independente para cada um dos sistemas
de aquecimento.
Quando o sistema de aquecimento é composto por diferentes tipos de
aquecedores em série, a contribuição de cada aquecedor deve ser determinada. Os
cálculos devem ser realizados na sequência dos aquecedores.
Quando mais de um dos aquecedores está associado em paralelo, a
contribuição proporcional de cada aquecedor deve ser calculada a partir da razão entre
a potência nominal da unidade em relação à potência total da instalação.
Quando existirem equipamentos de reserva, recomenda-se o uso da mesma
eficiência dos equipamentos regulares, a fim de manter a classificação da edificação.
Entretanto, os equipamentos de reserva não são considerados no cálculo.
O rendimento (raq) do aparelho de aquecimento de água deve ser obtido por
meio de informações oficiais do Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro, para os
equipamentos que fazem parte do programa. Para equipamentos que não fazem parte
do PBE, pode-se adotar as informações fornecidas em laudos de ensaios ou catálogo de
fabricante, desde que especificado. Na ausência de valores de eficiência de ambos os
casos, deve-se adotar o valor de eficiência disponibilizados na Tabela B.IV.2.
Tabela B.IV.2 -Tipos de sistemas de aquecimento de água e eficiências
Sistema de água quente
Eficiência (%)
Sistema de aquecimento por resistência elétrica em imersão (boiler)
85
Aquecedor de passagem de um único ponto de consumo
70
Aquecedor de passagem de múltiplos pontos de consumo
65
Sistema de aquecimento elétrico de um único ponto de consumo
(chuveiro elétrico)
95
Aquecedor de acumulação a gás
76
Aquecedor de acumulação a combustível sólido (lenha)
55
Bomba de calor elétrica para aquecimento exclusivo de água
200
ANEXO C - MÉTODO DE SIMULAÇÃO
Neste Anexo são estabelecidos os critérios para a avaliação de eficiência
energética de edificações comerciais, de serviços e públicas por meio dos métodos de
simulação computacional termoenergética (C.I) e de iluminação natural (C.II).
Qualquer edificação pode ser avaliada a partir do método de simulação
termoenergética, sendo obrigatório para as edificações que não atendem às condições
definidas na Tabela 6.1 do item 6 (subitem 6.1). Portanto, edificações que possuem
aquecimento artificial, aberturas zenitais, bem como vidro em frente das paredes da
fachada, fachadas ventiladas, ambientes de elevada geração de carga interna (a exemplo
dos datacenters), dispositivos móveis de sombreamento interno automatizados, vidros
com comportamento dinâmico a exemplo dos eletrocrômicos ou outras soluções de
desempenho 
inovadoras,
devem 
ser 
avaliadas
pelo 
método
de 
simulação
termoenergética.
A partir das simulações termoenergéticas obtém-se o consumo final por uso
dos sistemas individuais em energia elétrica. Os resultados obtidos pelos dados de saída
da simulação devem ser utilizados no cálculo do consumo de energia primária da
condição real (CEP,real) e condição de referência (CEP,ref), para posterior identificação da
classificação de eficiência energética desta INI-C.
O método de simulação de iluminação natural aplica-se a todas as edificações
nas quais se deseja computar o aproveitamento da iluminação natural com maior
precisão. Podem ser estimados a redução da carga térmica total anual da da edificação
para a avaliação da envoltória, o consumo de energia do sistema de iluminação artificial
e o potencial de integração entre o sistema de iluminação e a luz natural disponível.
ANEXO C.I - SIMULAÇÃO TERMOENERGÉTICA
C.I.1. 
Características 
do 
programa
computacional 
para 
a 
simulação
termoenergética
O programa computacional de simulação termoenergética deve possuir, no
mínimo, as seguintes características:
a) Ser um programa para a análise do consumo de energia em edifícios;
b) Ser validado pela ASHRAE Standard 140;
c) Modelar 8.760 horas por ano;
d) Modelar variações horárias de ocupação, potência de iluminação e
equipamentos, sistemas de condicionamento de ar e ventilação natural definidos,
separadamente, para cada dia da semana e feriados;
e) Modelar efeitos de inércia térmica;
f) Modelar trocas de calor entre a edificação e o solo;
g) Calcular cargas térmicas latente e sensível;
h) Ser capaz de simular o sombreamento proveniente de elementos externos
às zonas térmicas, como brises, sacadas e o entorno (quando considerado);
i) Ser capaz de simular os efeitos da ventilação cruzada em um ambiente, ou
entre dois ou mais 4 ambientes.
J) Permitir a modelagem de multi-zonas térmicas;
K) Ter capacidade de simular os efeitos das estratégias bioclimáticas adotadas
no projeto;
l) Caso a edificação proposta utilize sistema de condicionamento de ar, o
programa deve permitir modelar todos os sistemas de condicionamento de ar presentes
na edificação;
m) Determinar a capacidade solicitada pelo sistema de condicionamento de
ar;
n) Calcular as horas não atendidas pelo sistema de condicionamento de ar;
o) Calcular as curvas de desempenho de carga parcial para o sistema de
condicionamento de ar;
p) Calcular as curvas de correção de capacidade e eficiência para o sistema de
aquecimento e refrigeração;
q) Caso a edificação proposta utilize ventilação natural, o programa deve
permitir modelar os dados de entrada referentes ao funcionamento da ventilação natural
na edificação; e
r) Produzir relatórios horários do uso final de energia.
C.I.2. Arquivo climático
O arquivo climático deve possuir informações que sejam representativas do
clima da cidade onde a edificação está localizada. Deve-se utilizar os arquivos climáticos
disponibilizados por meio do endereço: <http://pbeedifica.com.br/arquivos-climaticos>.
Caso a cidade de implantação da edificação não possua arquivo climático,
deve ser utilizado o arquivo climático de uma cidade próxima, com clima semelhante. A
semelhança entre climas deve considerar o arquivo climático da cidade mais próxima,
com base na latitude, longitude e altitude. O arquivo climático utilizado deve fornecer
valores mensais de temperatura média do solo (°C) para todos os meses do ano, além
dos seguintes valores horários representativos das 8.760 horas do ano climático típico:
- Temperatura de bulbo seco (°C);
- Temperatura do ponto de orvalho (°C);
- Umidade relativa (%);
- Pressão atmosférica (Pa);
- Intensidade de radiação horizontal de onda longa (Wh/m²);
- Radiação horizontal global (Wh/m²);
- Radiação normal direta (Wh/m²);
- Radiação horizontal difusa (Wh/m²);
- Direção do vento (°), considerando o sentido horário a partir da direção
Norte; e
- Velocidade do vento (m/s).
C.I.3. Procedimento para a simulação
No método de simulação, assim como no simplificado, a edificação deve ser
avaliada sob duas condições: a condição real, com as características reais da edificação;
e a condição de referência, com as características listadas nas tabelas do Anexo A, que
variam
conforme
a
tipologia
avaliada. Para
tanto,
deve-se
elaborar
um
modelo
representando a edificação real e um modelo representando a condição de referência.
Recomenda-se considerar todas as trocas térmicas entre as superfícies em
contato, em diferentes ambientes da edificação, evitando-se a adoção de superfícies
adiabáticas. Em edificações com dois pavimentos ou mais, por exemplo, orienta-se a
consideração da transferência de calor entre o piso e a cobertura destes pavimentos.
O 
entorno 
da 
edificação, 
quando
considerado, 
deve 
ser 
simulado
identicamente na condição real e na condição de referência. Devem ser representadas,
na condição real e na condição de referência, a sombra e a reflexão da radiação solar
ocasionadas pelas principais superfícies do entorno, incluindo a influência do relevo, da
pavimentação, de edificações e de corpos d'água. Devem ser considerados os elementos
de entorno implantados até a data de aplicação dos procedimentos desta INI-C, podendo
ser incluídas estruturas cuja construção esteja prevista no mesmo projeto da edificação
em análise.
A condição do entorno deve ser comprovada por meio de dados de
levantamentos urbanos e planialtimétricos, levantamento fotográfico datado e recente,
ou por meio de mapas de satélite e dados georreferenciados. Cabe ao responsável pela
aplicação dos procedimentos a avaliação técnica das superfícies a serem consideradas,
visando a melhor representação das trocas térmicas entre a habitação e o seu entorno.
Eventuais modificações do entorno, ao longo da vida útil da edificação, podem influenciar
no desempenho inicialmente especificado, não implicando em não conformidade do
projeto. A condição real e a condição de referência devem ser simuladas com o mesmo
programa de simulação computacional, na mesma versão do programa e com o mesmo
arquivo climático. Deve ser desconsiderada a ocorrência de precipitação de chuva em
ambos os modelos, na condição real e na condição de referência.
C.I.4. Características em comum entre o modelo do edifício real e o modelo
do edifício de referência
a) Mesmo programa de simulação;
b) Mesma versão do programa de simulação;
c) Mesmo arquivo climático;
d) Mesma condição de contato com o solo do pavimento inferior;
e) Mesma condição de contato com o exterior do pavimento superior;
f) Mesma orientação com relação ao Norte Geográfico;
g) Mesmo geometria, número de pavimento e divisão de zonas térmicas;
h) Mesmas considerações de carga interna em cada zona térmica;
i) Mesma condição de troca de calor para os elementos construtivos;
j) Mesma área total de piso condicionada;
k) Mesmo padrão de uso de pessoas, com o mesmo valor de calor dissipado
por pessoa da edificação real (deve estar acordo com tipologia do Anexo A);
l) Mesmo padrão de uso e operação dos sistemas da edificação real;
m) Mesmo valor de DCI em equipamentos da edificação real;
n) Mesmo setpoint de refrigeração e aquecimento para o sistema de
condicionamento de ar adotado;
o) Mesma taxa de renovação de ar para o sistema de condicionamento de ar;
e
p) Mesmo valor da taxa de infiltração de ar.
C.I.5. Condição da edificação real
O modelo que representa o edifício real deve seguir as características
descritas abaixo:
a) Utilizar todas as características da edificação de acordo com o projeto
proposto (por exemplo: transmitância térmica de paredes e coberturas; propriedades do
vidro, PAF,
PAZ, absortância
térmica de paredes
e coberturas,
dispositivos de
sombreamento das aberturas, sistemas e suas respectivas características);
b) No caso de o edifício real possuir diferentes sistemas de condicionamento
de ar, todos os diferentes sistemas existentes de cada zona térmica devem ser
representados;
c) Considerar o coeficiente de
eficiência energética do sistema de
condicionamento
de ar
para
refrigeração e
aquecimento
(CEER)
do sistema
de
condicionamento de ar estabelecido em projeto;
d) Utilizar a densidade de potência de iluminação do projeto proposto;
e) O aproveitamento energético da iluminação natural pode ser contabilizado
pelo método de simulação e, quando contabilizado, deve ser incluído somente no
modelo do edifício real, de acordo com o item C.II;
f) Considerar os dispositivos de sombreamento das aberturas quando os
mesmos estiverem acoplados no edifício real;
g) O sombreamento proveniente do entorno pode fazer parte do método de
simulação (uso opcional quando avaliado apenas o desempenho térmico - AOV, e
obrigatório quando avaliada a iluminação natural); quando utilizados, devem ser incluídos
em ambos os modelos, edifício real e de referência;
h) No caso do modelo do edifício real, possibilitar o uso do sistema de
condicionamento de ar em somente alguns períodos do ano. A simulação poderá incluir
a opção de abertura de janelas com ventilação natural, desde que seja comprovado o
conforto térmico no período total em que o sistema de condicionamento de ar não foi
utilizado nas horas de ocupação, conforme explicado no item C.I.6; e
i) Adotar as características dos dados de entrada da ventilação natural de
acordo com o projeto proposto.
Nota 1: Deve-se encaminhar documentação comprobatória referente ao
sombreamento do entorno ou premissas adotadas e critérios utilizados.
Nota 
2: 
Considerando 
o 
exposto
na 
nota 
1, 
deve-se 
encaminhar
documentação comprobatória referente à justificativa e à comprovação da economia
gerada com a utilização da iniciativa visando o aumento da eficiência da edificação.
Nota 3: O total de horas não atendidas no modelo do edifício real é de, no
máximo, 10% das horas de funcionamento do sistema de condicionamento de ar.
C.I.6. Edifícios ou ambientes condicionados naturalmente
Para edificações naturalmente ventiladas, ou que possuam áreas de longa
permanência não condicionadas, deve ser comprovado que o ambiente interno das áreas
não condicionadas proporciona temperaturas dentro da zona de conforto durante um
percentual das horas ocupadas.
Caso a edificação atenda aos limites do item 6, subitem 6.1 do texto principal,
tal procedimento pode ser realizado por meio do método simplificado; caso contrário,
deve-se realizar a simulação conforme este subitem.
Nota 1: Áreas de permanência prolongada caracterizadas por atividades de
alta geração de calor e/ou frio, tais como as cozinhas profissionais, oficinas mecânicas,
saunas, açougues, ginásios e academias, são consideradas exceção. Nesses casos,
dispensa-se a restrição dos valores de PHOCT. No entanto, ainda assim, a taxa mínima
de ventilação e renovação de ar devem ser respeitadas, estando de acordo com as
normas que regem as atividades desses ambientes.
Deve-se analisar o percentual de horas ocupadas em conforto térmico
(PHOCT) em relação às horas de ocupação (considerar os valores de ocupação de acordo
com as condições de referência do Anexo A).
Caso a edificação para a condição real apresente um valor de PHOCT superior
ou igual a 90% no horário de uso da edificação, não é necessário o cálculo do consumo
de energia para a condição real e de referência da edificação.

                            

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