DOU 27/12/2022 - Diário Oficial da União - Brasil

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Nº 243, terça-feira, 27 de dezembro de 2022
ISSN 1677-7042
Seção 1
ANEXO B
Diretrizes e recomendações para a
elaboração de Rotina Diária de
Navegação
1. Antes do início da travessia
O período que antecede uma travessia é o período de planejamento da
viagem. Nele devem ser realizados:
-Verificação 
da 
disponibilidade 
das 
cartas 
e 
publicações 
náuticas
necessárias;
-Atualização das cartas e publicações náuticas previstas a serem utilizadas;
-Conferência dos 'Datum' das cartas náuticas e obtenção dos valores de
conversão de Datum tendo como referência o WGS-84;
-Obtenção das informações meteorológicas para o período e trajeto da
travessia;
-Verificação da funcionalidade dos equipamentos previstos na dotação desta
Norma;
-Reparos indicados pelas verificações;
-Elaboração do planejamento da viagem: relação das cartas náuticas a serem
utilizadas; traçado da derrota nas cartas de maior escala: identificação dos pontos de
guinada e pontos relevantes relacionados à operação da embarcação, com Latitude,
Longitude, e a hora estimada do evento. Deverá ainda, verificar os fusos horários, bem
como as suas alterações ao longo das estações do ano, para cada porto a ser
visitado.
2. Durante a travessia
2.1. Generalidades
O tipo de navegação a ser realizada - oceânica, costeira, ou águas restritas
- varia com a situação apresentada e será decisão do Comandante. Contudo, após
decidir-se qual o tipo de navegação a ser utilizada, a precisão requerida e a frequência
de determinação da posição não devem ser maiores que aquelas constantes dos
critérios estabelecidos.
.
Tipo de navegação*
Distância da costa
ou do perigo mais
próximo
Profundidade média
Precisão requerida para
as posições
Frequência de determinação
das posições
. Navegação em águas
restritas
Menor que 3 MN
Menor ou igual a 20
metros
Máxima
(melhor que 0,05MN ou
100 jardas)
Cada 3 minutos em média
.
Navegação costeira
De 3 a 50 MN
De 20 a 200 metros
0,10 MN ou 200 jardas
10 a 30 minutos
.
Navegação Oceânica
Maior que 50 MN
Maior 
que 
200
metros
1 a 2 MN em média
No mínimo 3 vezes ao dia
(*) Ver definições relativas à "Navegação" no Capítulo 1 destas Normas.
Quando houver possibilidade de o navio atingir águas rasas, o intervalo entre
observações deve ser alterado, de modo a propiciar duas observações adicionais além
da última obtida.
Sempre que for obtida uma posição, independente do tipo de navegação
realizada, traça-se, a partir dela, o rumo do navio e duas posições estimadas. Ao
determinar uma nova posição, deve-se calcular a corrente e estabelecer o rumo na
superfície e a velocidade, a fim de percorrer a derrota desejada.
Sempre que ocorrer uma das seguintes situações, uma posição estimada
deve ser plotada:
-nas horas cheias ou 'meias horas';
-nas ocasiões de mudança de rumo;
-nas ocasiões de mudança de velocidade;
-nos momentos em que for traçada uma Linha de Posição (LDP); e
-nos momentos em que for determinada uma posição observada.
Tendo em vista que o uso de papel vegetal pode dificultar a visualização de
perigos a navegação, uma carta náutica não deve ter qualquer tipo de papel sobre ela,
independente do tipo de navegação realizada.
Em qualquer tipo de navegação deve-se utilizar, sempre, a carta de maior
escala disponível.
Sempre que for determinada a posição do navio, por qualquer método,
devem ser feitas verificações com outros sistemas e informações disponíveis, tais como
GPS, profundidade, alinhamentos, etc.
Todos os auxílios a navegação devem ter confirmadas suas características, de
acordo com o contido nas publicações pertinentes. As anormalidades devem ser
anotadas para comunicação à Diretoria de Hidrografia e Navegação / Centro de
Hidrografia da Marinha o mais rápido possível, pelos meios previstos nos Avisos aos
Navegantes.
Devem ser feitas comparações entre as agulhas magnética e giroscópica e
preenchido o livro correspondente, que deverá ser assinado pelo Oficial de Quarto.
Independente da precisão requerida, é desejável que sejam utilizadas, em
conjunto, a navegação visual, radar e satélite associadas à carta náutica; e a navegação
satélite associada ao ECDIS ou ECS. Devem ser aproveitadas as vantagens de cada
método e tipo de posicionamento de acordo com os níveis de dependência relacionados
na tabela abaixo, de forma a garantir a segurança da navegação do navio em caso de
perda de contato com terra, mudança nas condições meteorológicas, alteração do
estado do
mar, perda de
energia elétrica,
falha humana ou
problemas de
funcionamento de equipamentos de navegação do navio e de sistemas externos. Tal
procedimento permite,
ainda, que os três
métodos sirvam para
comparação e
calibragem entre si.
.
Navegação
Nível de dependência
Obs.
.
Método
Tipo 
de
posicionamento
Terra
Meteorologia Estado 
do
mar
Energia
elétrica
Fa t o r e s
humanos
Sistemas
externos
.
Visual
(carta náutica
em papel)
Astronômico
nulo
alto
médio
nulo
alto
nulo
.
Marcações
verdadeiras
alto
alto
médio
alto
alto
nulo
.
Marcações
relativas
alto
alto
médio
nulo
alto
nulo
.
Segmentos
capazes
alto
alto
alto
nulo
alto
nulo
.
Eletrônico
radar
(carta náutica
em papel)
Distâncias
alto
médio
baixo
alto
médio
nulo
.
Marcações
alto
médio
baixo
alto
médio
nulo
.
Indexado
alto
médio
baixo
alto
médio
nulo
.
Eletrônico
satélite (carta
náutica em
papel e ENC)
GPS
nulo
baixo
nulo
médio
baixo
alto
.
DGPS
médio
baixo
nulo
médio
baixo
alto
2.2. Rotina diária de Navegação Astronômica
A Rotina Diária de Navegação, em viagem, varia de acordo com as
características da embarcação.
Nos incisos que se seguem é descrita a rotina mínima necessária à navegação
astronômica, a ser realizada em um período de 24 horas. Esta rotina deve ser realizada
sempre que possível, mesmo havendo disponibilidade de modernos equipamentos de
navegação, em virtude da possibilidade de uma eventual falha ou codificação dos sinais
eletrônicos de auxílio à navegação.
A prática da navegação astronômica deve ser incentivada a bordo.
Manhã:
-Fazer a observação do crepúsculo matutino e, posteriormente, fazer o
cálculo e a plotagem da posição;
-calcular o desvio da giro (Azimute do Sol);
-executar um acerto geral de relógios, pelo sistema de comunicação interno,
no Quarto D'Alva;
-dar corda nos cronômetros e comparadores e calcular o estado absoluto,
registrando-os no "Livro dos Cronômetros e Comparadores";
-calcular a reta da manhã, cerca de 0900h local, e plotá-la na carta;
-limpar os equipamentos óticos; e
-observar a passagem meridiana e, posteriormente, fazer o cálculo e traçar
a reta correspondente na carta náutica.
-Tarde:
-Calcular a reta da tarde, cerca de 1500h local, pela observação do sol e,
posteriormente, fazer a plotagem na carta;
-preparar e fazer a observação do crepúsculo vespertino e, posteriormente,
fazer o cálculo e a plotagem da posição;
-calcular o desvio da giro (pôr-do-sol); e
-preparar o crepúsculo matutino.
2.3. Navegação em águas restritas
Navegação em Águas Restritas é aquela realizada quando a proximidade a
perigos traz restrição à manobra do navio. Ela é realizada nas entradas/saídas de portos,
travessias de estreitos, canais, lagos, rios, etc.
Como já visto anteriormente, a navegação em águas restritas deve ser
adotada quando a distância do navio ao perigo mais próximo for menor que 3 milhas
ou a profundidade local for menor que 20 metros. Nestas condições, a posição do navio
deve ser determinada a cada três minutos, com uma precisão de 100 jardas ou
maior.
Deve-se ter em mente que os limites acima mencionados não são rígidos,
podendo variar com a situação.
A proximidade aos perigos exige que o navio seja posicionado com precisão;
sendo assim, a navegação deve ser precedida por um meticuloso planejamento.
Este planejamento exige um conhecimento das características de manobra do
navio, que são os seus Dados Táticos.
Preparação:
Para a navegação em águas restritas, deve-se:
-sinalizar na carta náutica:
as linhas de perigo, na cor vermelha;
as derrotas a serem percorridas pelo navio, anotando o rumo verdadeiro e
magnético ;
a velocidade e o ângulo do leme utilizados como parâmetros no cálculo do
avanço e afastamento para as guinadas;
as marcações para as guinadas, em relação a um ponto notável, bem como
as marcações para este ponto, a partir das posições situadas a 500, 400, 300, 200 e 100
jardas do ponto de guinada;
os pontos a serem usados para navegações radar e visual, na cor verde (o
mesmo ponto pode ser usado em ambas as situações), utilizando-se um quadrado para
indicar ponto a ser usado pelo radar e um círculo para indicar aquele que pode ser
usado para observação visual;
o diagrama velocidade x tempo;
os pontos que possam vir a ser utilizados para navegação, por letras;
os pontos de mudança de carta;
a altura do obstáculo (ponte ou obstrução), sob o qual o navio vá passar;
e
as linhas de posição de segurança, caso necessário.
-indicar, sobre a reta paralela indexada, o ponto de guinada e as posições
situadas a 500, 400, 300, 200 e 100 jardas deste ponto;
-plotar as retas de segurança, para a navegação paralela indexada;
-estudar as tabelas de aceleração e desaceleração, e outros dados de
máquinas julgados pertinentes;
-realizar um
"briefing" de navegação
(apresentação e
discussão do
planejamento para a equipe de navegação e o Comandante. Ver item abaixo);
-considerar os avanços e afastamento a serem empregados durante as
guinadas; e
-confeccionar o gráfico para a maré prevista, em papel milimetrado, e afixá-
lo em local que possa ser facilmente visualizado pelo Oficial de Quarto e Equipe de
Navegação, durante a navegação em águas restritas.
Briefing de Navegação:

                            

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