DOU 04/09/2023 - Diário Oficial da União - Brasil

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20
Nº 169, segunda-feira, 4 de setembro de 2023
ISSN 1677-7042
Seção 1
AM. CURIAE.
: INSTITUTO ALANA
AM. CURIAE.
: INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES ¿ IBDCRIA
A DV . ( A / S )
: PEDRO AFFONSO DUARTE HARTUNG (329833/SP) E OUTRO(A/S)
AM. CURIAE.
: INSTITUTO DE DIREITO GLOBAL
A DV . ( A / S )
: GUSTAVO MANICARDI SCHNEIDER (476647/SP)
AM. CURIAE.
: INSTITUTO MAIS CIDADANIA
A DV . ( A / S )
: LUIZ GUSTAVO DE ANDRADE (35267/PR) E OUTRO(A/S)
AM. CURIAE.
: FRENTE NACIONAL DE PREFEITOS
A DV . ( A / S )
: JECONIAS ROSENDO DA SILVA JUNIOR (10102/PB) E OUTRO(A/S)
AM. CURIAE.
: COMISSÃO DE DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS DOM PAULO EVARISTO
ARNS ¿ COMISSÃO ARNS
A DV . ( A / S )
: FABIO KONDER COMPARATO (11118/SP) E OUTRO(A/S)
Decisão: O Tribunal, por unanimidade, referendou a decisão que concedeu
parcialmente a cautelar, tornando obrigatória a observância, pelos Estados, Distrito
Federal e Municípios, imediata e independentemente de adesão formal, das diretrizes
contidas no Decreto Federal nº 7.053/2009, que institui a Política Nacional para a
População em Situação de Rua, bem como as seguintes determinações: "I) A formulação
pelo PODER EXECUTIVO FEDERAL, no prazo de 120 (cento e vinte) dias, do PLANO DE
AÇÃO E MONITORAMENTO PARA A EFETIVA IMPLEMENTAÇÃO DA POLÍTICA NACIONAL
PARA A POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA, com a participação, dentre outros órgãos, do
Comitê intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional para
População em Situação de Rua (CIAMP-Rua), do Conselho Nacional de Direitos Humanos
(CNDH), da Defensoria Pública da União (DPU) e do Movimento Nacional da População
em Situação de Rua. O plano deverá, no mínimo, conter os seguintes tópicos: I.1)
Elaboração de um diagnóstico atual da população em situação de rua, com identificação
do perfil, da procedência e de suas principais necessidades, entre outros elementos a
amparar a construção de políticas públicas voltadas ao segmento; I.2) Criação de
instrumentos de diagnóstico permanente da população em situação de rua; I.3)
Desenvolvimento de mecanismos para mapear a população em situação de rua no censo
realizado pelo IBGE; I.4) Estabelecimento de meios de fiscalização de processos de
despejo e de reintegração de posse no país, e seu impacto no tamanho da população em
situação de rua; I.5) Elaboração de diretrizes para a intervenção do Poder Público,
pautadas no tratamento humanizado e não violento da população em situação de rua,
englobando, entre outros, a formação e o treinamento de agentes públicos, bem como as
formas de abordagens específicas aos
`hiperhipossuficientes´; I.6) Elaboração de
programas de capacitação e de sensibilização de agentes públicos das áreas da saúde,
assistência social, educação, segurança pública, justiça, entre outras, para atuarem junto
à população em situação de rua; I.7) Incorporação na Política Nacional de Habitação das
demandas da população em situação de rua; I.8) Análise de programas de transferência
de renda e sua capilaridade em relação à população em situação de rua; I.9) Previsão de
um canal direto de denúncias contra violência; I.10) Elaboração de medidas para garantir
padrões mínimos de qualidade nos centros de acolhimento, resguardando a higiene e a
segurança dos locais; I.11) Desenvolvimento de programas de prevenção de suicídio junto
à população em situação de rua; I.12) Elaboração de programas educacionais e de
conscientização pública sobre a aporofobia e sobre a população em situação de rua; I.13)
Formulação de políticas para fomentar a saída da rua através de programas de emprego
e de formação para o mercado de trabalho; I.14) Elaboração de medidas para o
fortalecimento de políticas públicas voltadas à moradia, trabalho, renda, educação e
cultura de pessoas em situação de rua; I.15) Indicação de possíveis incentivos fiscais para
a contratação de trabalhadores em situação de rua. (II) Aos PODERES EXECUTIVOS
MUNICIPAIS E DISTRITAL, bem como onde houver atuação, aos PODERES EXECUTIVOS
FEDERAL E ESTADUAIS que, no âmbito de suas zeladorias urbanas e nos abrigos de suas
respectivas responsabilidades: II.1) Efetivem medidas que garantam a segurança pessoal e
dos bens das pessoas em situação de rua dentro dos abrigos institucionais existentes; II.2)
Disponibilizem o apoio das vigilâncias sanitárias para garantir abrigo aos animais de
pessoas em situação de rua; II.3) Proíbam o recolhimento forçado de bens e pertences,
assim como a remoção e o transporte compulsório de pessoas em situação de rua; II.4)
Vedem o emprego de técnicas de arquitetura hostil contra as populações em situação de
rua, bem como efetivem o levantamento das barreiras e equipamentos que dificultam o
acesso a políticas e serviços públicos, assim como mecanismos para superá-las; II.5) No
âmbito das zeladorias urbanas: II.5.1) Divulguem previamente o dia, o horário e o local
das ações de zeladoria urbana nos seus respectivos sites, nos abrigos, e outros meios em
atendimento ao princípio da transparência dos atos da administração pública permitindo
assim que a pessoa em situação de rua recolha seus pertences e que haja a limpeza do
espaço sem conflitos; II.5.2) Prestem informações claras sobre a destinação de bens
porventura apreendidos, o local de armazenamento dos itens e o procedimento de
recuperação do bem; II.5.3) Promovam a capacitação dos agentes com vistas ao
tratamento digno da população em situação de rua, informando-os sobre as instâncias de
responsabilização penal e administrativa; II.5.4) Garantam a existência de bagageiros para
as pessoas em situação de rua guardarem seus pertences; II.5.5) Determinem a
participação de agentes de serviço social e saúde em ações de grande porte; II.5.6)
Disponibilizem bebedouros, banheiros públicos e lavanderias sociais de fácil acesso para
população em situação de rua; II.5.7) Realizem de inspeção periódica dos centros de
acolhimento para garantir, entre outros, sua salubridade e sua segurança; II.6) Realização
periódica de mutirões da cidadania para a regularização de documentação, inscrição em
cadastros governamentais e inclusão em políticas públicas existentes; II.7) Criação de um
programa de enfrentamento e prevenção à violência que atinge a população em situação
de rua; II.8) Formulação de um protocolo intersetorial de atendimento na rede pública de
saúde para a população em situação de rua; II.9) Ampla disponibilização e divulgação de
alertas meteorológicos, por parte das Defesas Civis de todos os entes federativos, para
que se possam prever as ondas de frio com a máxima antecedência e prevenir os seus
impactos na população em situação de rua; II.10) Disponibilização imediata: II.10.1) Pela
defesa civil, de barracas para pessoas em situação de rua com estrutura mínima
compatível com a dignidade da pessoa humana, nos locais nos quais não há número de
vagas em número compatível com a necessidade; II.10.2) A disponibilização de itens de
higiene básica à população em situação de rua. (III) Aos PODERES EXECUTIVOS
MUNICIPAIS E DISTRITAL, no prazo de 120 (cento e vinte) dias, a realização de diagnóstico
pormenorizado da situação nos respectivos territórios, com a indicação do quantitativo de
pessoas em situação de rua por área geográfica, quantidade e local das vagas de abrigo
e de capacidade de fornecimento de alimentação". Tudo nos termos do voto do Relator.
O Ministro André Mendonça acompanhou o Relator com ressalvas. Falaram: pelos
requerentes Partido Socialismo e Liberdade (P-SOL) e Movimento dos Trabalhadores Sem
Teto - MTST, o Dr. André Maimoni; pelo interessado Governador do Estado do Rio de
Janeiro, o Dr. Marcelo Rocha de Mello Martins, Procurador do Estado; pelo amicus curiae
Grupo de Atuação Estratégica das Defensorias Públicas Estaduais e Distrital nos Tribunais
Superiores - GAETS, a Dra. Fernanda Penteado Balera, e, pelos amici curiae Movimento
Nacional da População de Rua - MNPR, Movimento Nacional de Luta em Defesa da
População em Situação de Rua - MNLDPSR e Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos,
o Dr. Daniel Sarmento. Plenário, Sessão Virtual de 11.8.2023 a 21.8.2023.
ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL 995
(73)
ORIGEM
: 995 - SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
P R O C E D.
: DISTRITO FEDERAL
R E L AT O R
: MIN. ALEXANDRE DE MORAES
R EQ T E . ( S )
: ASSOCIAÇÃO DOS GUARDAS MUNICIPAIS DO BRASIL - AGM BRASIL
A DV . ( A / S )
: SANDRO MURILO GUIMARAES GUILHERME (20654/DF) E OUTRO(A/S)
I N T D O. ( A / S )
: SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
A DV . ( A / S )
: SEM REPRESENTAÇÃO NOS AUTOS
AM. CURIAE.
: MUNICÍPIO DE SÃO PAULO
P R O C . ( A / S ) ( ES ) : PROCURADOR-GERAL DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO
Decisão: Após os votos dos Ministros Alexandre de Moraes (Relator), Dias
Toffoli e Roberto Barroso, que conheciam da arguição e convolavam o julgamento da
medida cautelar em julgamento definitivo da ADPF, e, no mérito, julgavam procedente a
arguição, para, nos termos do artigo 144, §8º, da CF, conceder interpretação conforme à
Constituição ao artigo 4º da Lei 13.022/14 e ao artigo 9º da 13.675/18, declarando
inconstitucional todas as interpretações judiciais que excluam as Guardas Municipais,
devidamente criadas e instituídas, como integrantes do Sistema de Segurança Pública; e
do voto do Ministro Edson Fachin, que não conhecia da arguição de descumprimento de
preceito fundamental, pediu vista dos autos o Ministro André Mendonça. Plenário, Sessão
Virtual de 17.2.2023 a 28.2.2023.
Decisão: Após o voto-vista do Ministro André Mendonça e dos votos dos
Ministros Cármen Lúcia e Nunes Marques, todos no sentido de não conhecer da presente
arguição e, se vencidos em relação às questões preliminares, divergiam do Relator para, no
mérito, julgando procedentes, em parte, os pedidos, conferir interpretação conforme à
Constituição ao art. 4º da Lei 13.022, de 2014, e ao art. 9º da 13.675, de 2018, assentando
que: "As Guardas Municipais, devidamente criadas e instituídas, são integrantes do Sistema
de Segurança Pública, devendo-se observar as peculiaridades e distinções de tratamento que
lhes são inerentes quando cotejadas com os demais órgãos integrantes do mesmo sistema";
dos votos dos Ministros Luiz Fux e Gilmar Mendes, que acompanhavam o voto do Ministro
Alexandre de Moraes (Relator); e do voto da Ministra Rosa Weber (Presidente), que
acompanhava o voto do Ministro Edson Fachin, o julgamento foi suspenso para aguardar o
voto do novo Ministro a integrar a Corte. Plenário, Sessão Virtual de 16.6.2023 a 23.6.2023.
Decisão: O Tribunal, por maioria,
conheceu da arguição, convolou o
julgamento da medida cautelar em julgamento definitivo da ADPF e, no mérito, julgou
procedente a presente ADPF, para, nos termos do artigo 144, § 8º, da CF, conceder
interpretação conforme à Constituição ao artigo 4º da Lei 13.022/14 e ao artigo 9º da
13.675/18 declarando inconstitucional todas as interpretações judiciais que excluem as
Guardas Municipais, devidamente criadas e instituídas, como integrantes do Sistema de
Segurança Pública, tudo nos termos do voto do Relator, vencidos os Ministros Edson
Fachin e Rosa Weber (Presidente), que não conheciam da arguição, e os Ministros André
Mendonça, Cármen Lúcia e Nunes Marques, que não conheciam da arguição e, vencidos,
divergiam do Relator para, no mérito, julgar procedentes, em parte, os pedidos, nos
termos de seus votos. Plenário, Sessão Virtual de 18.8.2023 a 25.8.2023.
Acórdãos
ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL 969
(74)
ORIGEM
: 969 - SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
P R O C E D.
: A L AG OA S
R E L AT O R
: MIN. GILMAR MENDES
R EQ T E . ( S )
: PARTIDO PROGRESSISTA
A DV . ( A / S )
: YURI DE PONTES CEZARIO (8609/AL) E OUTRO(A/S)
I N T D O. ( A / S )
: PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE ALAGOAS
A DV . ( A / S )
: SEM REPRESENTAÇÃO NOS AUTOS
AM. CURIAE.
: MOVIMENTO DEMOCRÁTICO BRASILEIRO - MDB
A DV . ( A / S )
: RENATO OLIVEIRA RAMOS (20562/DF)
AM. CURIAE.
: UNIÃO BRASIL - UBR
A DV . ( A / S )
: FRANCISCO DAMASO AMORIM DANTAS (10450/AL)
A DV . ( A / S )
: RODRIGO DELGADO DA SILVA (11152/AL)
AM. CURIAE.
: PARTIDO DA SOCIAL DEMOCRACIA BRASILEIRA
A DV . ( A / S )
: GUSTAVO GUILHERME BEZERRA KANFFER (20839/DF, 451216/SP)
A DV . ( A / S )
: EUGESIO PEREIRA MACIEL (53326/DF)
Decisão: O Tribunal, por unanimidade, julgou parcialmente procedente a
arguição de descumprimento de preceito fundamental, nos termos da medida cautelar
anteriormente proferida, para: (a) conferir interpretação conforme à Constituição Federal
ao item I do edital de convocação e ao art. 4º da Lei 8.576/2022, para estabelecer que o
registro e a votação dos candidatos a Governador e Vice-Governador devem ser realizados
em chapa única; e (b) conferir interpretação conforme à Constituição Federal ao item II do
edital de convocação para eleição indireta do Estado de Alagoas e por decorrência lógica ao
art. 2º da Lei 8.576/2022, para estabelecer que (1) nos termos do precedente firmado na
ADI 1.057, Rel. Min. Dias Toffoli, DJe de 28/10/2021, a candidatura ao certame condiciona-
se à observância das condições constitucionais de elegibilidade e das hipóteses de
inelegibilidade previstas no art. 14 da Constituição Federal e na Lei Complementar a que se
refere o § 9º do art. 14; e (2) a filiação partidária não pressupõe a escolha em convenção
partidária, tampouco o registro da candidatura pelo partido político. Considerando o caráter
marcadamente objetivo da ADPF, fixou a seguinte tese: "Os Estados possuem autonomia
relativa na solução normativa do problema da dupla vacância da Chefia do Poder Executivo,
não estando vinculados ao modelo e ao procedimento federal (art. 81, CF), mas tampouco
pode desviar-se dos princípios constitucionais que norteiam a matéria, por força do art. 25
da Constituição Federal, devendo observar: (i) a necessidade de registro e votação dos
candidatos a Governador e Vice-Governador por meio de chapa única; (ii) a observância das
condições constitucionais de elegibilidade e das hipóteses de inelegibilidade previstas no
art. 14 da Constituição Federal e na Lei Complementar a que se refere o § 9º do art. 14; e
(iii) que a filiação partidária não pressupõe a escolha em convenção partidária nem o
registro da candidatura pelo partido político; (iv) a regra da maioria, enquanto critério de
averiguação
do
candidato vencedor,
não
se
mostra
afetada a
qualquer
preceito
constitucional que vincule os Estados e o Distrito Federal", declarando prejudicado o agravo
regimental interposto no eDOC 47. Tudo nos termos do voto do Relator. Não votou a
Ministra Cármen Lúcia. Plenário, Sessão Virtual de 4.8.2023 a 14.8.2023.
ARGUIÇÃO
DE
DESCUMPRIMENTO 
DE
PRECEITO
FUNDAMENTAL.
ATOS
NORMATIVOS DO ESTADO DE ALAGOAS QUE REGEM A ELEIÇÃO INDIRETA PARA OS CARGOS DE
GOVERNADOR E VICE-GOVERNADOR. SITUAÇÃO DE DUPLA VACÂNCIA. AUTONOMIA DO ENTE
FEDERADO QUANTO AO MODELO E PROCEDIMENTO ADOTADOS. MEDIDA CAUTELAR
PARCIALMENTE DEFERIDA E CUMPRIDA. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO. CARÁTER EMINENTEMENTE
OBJETIVO DA ADPF. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS PELO
LEGISLADOR ESTADUAL. ARGUIÇÃO JULGADA PARCIALMENTE PROCEDENTE. TESE FIXADA .
1. Extrai-se da jurisprudência sedimentada do Supremo Tribunal Federal ao longo
de décadas a autonomia relativa dos Estados na solução normativa do problema da dupla
vacância da Chefia do Poder Executivo, que não está vinculada ao modelo e ao procedimento
federal (art. 81, CF), mas tampouco pode desviar-se dos princípios constitucionais, por força
do art. 25 da Constituição Federal.
2. A candidatura aos cargos de Governador e Vice-Governador nas eleições
indiretas relativas a situação de dupla vacância não decorrente de causa eleitoral deve
observar as condições de elegibilidade e as hipóteses de inelegibilidade previstas no art. 14
da Constituição Federal e em lei complementar (CF, art. 14, § 9º). Essa solução decorre da
já mencionada pacífica jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, segundo a qual a
autonomia dos Estados é condicionada pela incidência de normas constitucionais que regem
o acesso e qualificação do mandado eletivo, independentemente da forma de provimento
- se eleição direta ou indireta (ADI 1057, Rel. Min. Dias Toffoli, DJe de 28/10/2021).
3. Essa compreensão não autoriza que se estenda ao procedimento estadual
de dupla vacância do cargo de Governador a exigência de escolha do parlamentar em
convenção partidária e de registro da candidatura pelo partido político. Os precedentes
desta Corte vinculam a normatização dos Estados a preceitos da Constituição Federal, e
não a exigências procedimentais declinadas na legislação ordinária, como a convenção
partidária, regida pelo art. 7º e seguintes da Lei 9.504/1997.
4. Ao assentar a autonomia relativas dos Estados na regência da matéria, o
Supremo Tribunal Federal distinguiu normas relativas ao modelo e ao procedimento da
eleição indireta, daquelas concernentes ao próprio mandato eletivo ou ao seu exercício. A
unicidade da chapa de Governador e Vice-Governador, cujo fundamento constitucional reside
nos arts. 28 e 77 da Constituição Federal, não consiste em elemento funcional aderente
exclusivamente ao procedimento de eleição, referindo-se também e primordialmente ao
próprio modo de exercício dos cargos.
5. A regra da maioria, enquanto critério de averiguação do candidato
vencedor, não se mostra afetada a qualquer preceito constitucional que vincule os
Estados e o Distrito Federal. A sucessão de escrutínios com critérios majoritários distintos
não parece infirmar a validade e legitimidade do processo de escolha do Governador e do
Vice-Governador pela Assembleia Legislativa. A solução adotada pelo Estado de Alagoas
afigura-se necessária, para que o impasse institucional não se instale nas hipóteses em
que grupos parlamentares minoritários sejam capazes de bloquear qualquer solução que
imponha maioria absoluta.

                            

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