DOU 25/09/2023 - Diário Oficial da União - Brasil
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Nº 183, segunda-feira, 25 de setembro de 2023
ISSN 1677-7042
Seção 1
O emprego de ecobatímetro monofeixe associado a sonares de varredura
lateral não poderá ser utilizado em LH Categoria "A".
3.4.5. Coleta e processamento dos dados
Outro aspecto relevante a destacar é que o processamento não gera um
resultado final bom com base num trabalho de campo insatisfatório. A utilização
indiscriminada e sem verificação de filtros, ou outras ferramentas, é incapaz de corrigir
problemas quando os dados brutos foram adquiridos sem atentar aos critérios
elencados por estas Normas.
Portanto, é extremamente recomendável que os LH sejam conduzidos com
sistemas que permitam que o Responsável Técnico da EE e sua equipe técnica
monitorarem a aquisição de dados em tempo real.
Em condições do mar que comprometa a qualidade total do levantamento,
a responsabilidade pela continuação da coleta dos dados deve ser compartilhada entre
o Responsável Técnico da EE; pela equipe técnica responsável pela coleta do dado; e
pela EE propriamente dita. As dificuldades impostas pelo estado do mar para a
consecução do acompanhamento em tempo quase real do LH são inúmeras. No
entanto, não se vislumbra qualquer outra forma para a identificação e eliminação de
problemas que possam ocorrer durante um LH.
A verificação do dado, no mesmo dia, mas somente após a coleta dos dados
em campo é uma opção onde se corre o risco de descobrir que os dados coletados
durante todo o dia estão comprometidos.
De uma forma, ou de outra, é o Responsável Técnico da EE o responsável
pela qualidade dos dados coletados em campo e o responsável pelo aproveitamento ou
não do levantamento pelo CHM.
O fator tempo de planejamento do LH deve ser cuidadosamente mensurado.
É salutar que durante a fase de planejamento do LH sejam considerados aspectos que
possam dilatar a permanência do técnico em campo. Nesse sentido, fatores como a
adversidade do clima, a necessidade de uma nova coleta de dados em função de
inconsistências encontradas em gabinete, devem ser levados em consideração.
O processo de análise dos dados batimétricos pelo CHM é estritamente
técnico e imparcial. Nesse sentido, todos os dados são analisados de forma imparcial
sem levar em consideração a sua origem, ou seja, a própria Marinha do Brasil (MB)
ou por qualquer EE. Situações como dificuldades encontradas em campo ou no
gabinete, registradas
ou não
em Relatório
Final do
LH não
são levadas
em
consideração.
O CHM,
para que
tenha condições
de verificar
claramente, e
sem
ambiguidade, se os LH cumprem os requisitos da Publicação Especial S-44 -
"Especificações
da
Organização
Hidrográfica
Internacional
para
Levantamentos
Hidrográficos" necessita que os LH sejam encaminhados conforme o constante nestas
Normas. E por ser o responsável pelos dados batimétricos representados em carta
náutica, segue estritamente o processo de análise que lhe permita garantir a segurança
da navegação, mediante o fornecimento aos usuários do produto cartográfico náutico
oficial de sua competência. Esse é um procedimento de cunho totalmente discricionário
do CHM.
No passado, as dimensões dos navios eram mais conservadores e os
instrumentos disponíveis para a coleta e processamentos de dados de um LH eram
limitados em termos de acurácia. As limitações de outrora tinha influência direta sobre
o cálculo dos parâmetros operacionais de navegação de um determinado porto. Como
consequência, a manobra de navios em águas restritas ocorria num estilo bem mais
conservador.
Hoje, com o avançar da tecnologia, a margem de erro na execução de LH
cujo fim é a atualização de documentos náuticos é mínima. Nesse sentido, qualquer
inconsistência na definição do fundo não é admissível.
A análise bem sucedida de um LH
pelo CHM, em busca de um
aproveitamento dos dados para atualização cartográfica, é consequência de um
trabalho em campo em que a EE deve buscar o rigor, pois os resultados dependem
sensivelmente de como ele é realizado. Pode-se dizer que o rigor do trabalho em
campo é mais determinante do sucesso de um LH do que o processamento dos dados
feito pela EE em gabinete. E isso é diretamente proporcional à mentalidade de
trabalho da EE, ao conhecimento agregado e experiência do Responsável Técnico da EE
e de sua equipe técnica e de como é concebido o contrato de execução do LH entre
EE e EC.
O trabalho com multifeixe é complexo, composto de muitas variáveis
técnicas e geralmente envolve custos mais elevados do que LH realizados com
ecobatímetros monofeixe, portanto, necessita de investimento e comprometimento
técnico condizentes com suas especificidades.
3.4.6. Monofeixe
a) sempre determinar os valores de offset entre os sensores dos diversos
sistemas instalados à bordo, fazendo constar estes valores, de forma explícita, no
Relatório Final do LH. Além disso, estabelecer um ponto de referência no casco ou
haste para auxiliar na medição da profundidade de imersão do transdutor durante o
período da sondagem. Diariamente, deve-se verificar esta imersão e efetuar sua correta
configuração no sistema de sondagem. Caso haja alteração de calado durante o
período diário de sondagem (ex: devido ao consumo de combustível em uma lancha
pequena), realizar duas medições: uma antes da sondagem e outra após a sondagem.
Aplicar no processamento o "calado dinâmico" (distribuição linear). Os valores diários
de profundidade de imersão do transdutor devem constar do Relatório Final do LH
encaminhado ao CHM;
b) calcular o delay time antes do início dos trabalhos ou sempre que houver
alteração de equipamentos e/ou cabeamentos. Aplicar o delay time durante a aquisição
ou no processamento dos dados;
c) configurar o ecobatímetro para adquirir dados a uma taxa máxima de 1 Hz;
d) realizar testes para medição do squat do navio, onde serão definidos os
valores de
variação vertical da embarcação em função das diferentes velocidades
usadas para a sondagem. Estes valores devem ser aplicados no processamento dos
dados, sendo configurados nos arquivos das embarcações, possibilitando aprimorar a
qualidade da batimetria adquirida;
e) configurar o ecobatímetro monofeixe
com os valores corretos de
velocidade do som para a área de sondagem, a fim de permitir os corretos cálculos
das profundidades obtidas a partir dos tempos de propagação dos feixes. Para isso,
pode-se usar um perfilador de velocidade do som lançado na área de sondagem ou
uma barra de calibragem. É aconselhável que a frequência da medição da velocidade
do som seja intensificada sempre que a sondagem se distribua por uma área
geográfica extensa ou, por um período longo;
f) apenas para efeito de verificação da conformidade na configuração dos
"offsets" do ecobatímetro, quando for usado o perfilador de velocidade, deve-se medir
a profundidade com o prumo de mão antes do início da sondagem, sendo lançado o
mais próximo possível do transdutor. Essa profundidade obtida com o prumo deve
estar coerente com a profundidade medida pelo sistema de sondagem. Caso haja
diferença significativa entre os valores obtidos, deve-se verificar se a profundidade de
imersão do transdutor e se o perfil de velocidade do som, ao longo da coluna da água
estão corretamente inseridos no sistema de aquisição da sondagem;
g) usar sensores de heave sempre que se realizarem sondagens onde os
efeitos de mar forem significativos, podendo causar a degradação da qualidade de
medição das profundidas devido ao movimento de arfagem da embarcação,
comprometendo a qualidade dos dados batimétricos coletados;
h)
empregar
métodos
de posicionamento
que
atendam
a
incerteza
horizontal total (IHT) definida pela Publicação Especial S-44 - "Especificações da
Organização Hidrográfica Internacional para Levantamentos Hidrográficos";
i) adotar linhas de sondagem regulares dispostas de modo perpendicular às
linhas isobatimétricas da área, com o espaçamento entre linhas, conforme estabelecido
na publicação S-44 da OHI. Para levantamentos em rios, adotar como espaçamento
entre linhas o valor correspondente de 1 cm no dobro da escala da carta de maior
escala correspondente à área do levantamento;
j) caso sejam detectados perigos à navegação, realizar pesquisa de perigo,
adensando o espaçamento das linhas de sondagem sobre o perigo, a fim de possibilitar
a delimitação do mesmo e a definição de sua profundidade mínima. Inserir no
Relatório Final do LH uma listagem com as coordenadas e menores profundidades de
todos os perigos encontrados e investigados durante o LH;
k) nos extremos da área levantada, avaliar a concordância entre as linhas
isobatimétricas determinadas no LH e aquelas representadas na carta náutica de maior
escala, de forma a garantir a continuidade da representação. Caso sejam verificadas
grandes discrepâncias, conforme assinalado pelos círculos vermelhos da Figura 10,
estender a sondagem além da área inicialmente estabelecida, até que se verifique a
concordância entre elas, podendo-se usar neste caso linhas de sondagem espaçadas
com maior afastamento, a fim de se delimitar as isóbatas corretamente e realizar a
atualização da carta náutica. Este procedimento de comparação serve também para
avaliar a qualidade da sondagem realizada, permitindo inclusive detectar a ocorrência
de erros grosseiros ocorridos na aquisição (ex.: calado inserido errado);
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l) efetuar coleta de amostras geológicas na área sondada, a fim de definir
com precisão a natureza do fundo, especialmente quando a área sondada tiver
potencial de ser empregada como fundeadouro e ao longo dos pontos críticos dos
canais de acesso aos portos. Tal procedimento adquire especial importância quando
visa confirmar ou refutar a existência de substratos de natureza rochosa ou quando
associado a uma varredura de sonar de varredura lateral que permita correlacionar o
tipo de fundo ao padrão de intensidade do registro;
m) executar linhas de verificação (LV) dispostas de modo aproximadamente
perpendicular às linhas regulares de sondagem, para possibilitar a detecção de erros
grosseiros ou sistemáticos. Adotar um afastamento entre as LV de até 15 vezes o
adotado para as linhas regulares de sondagem. No caso de sondagem de canais de
acesso a portos, executar, obrigatoriamente, uma LV ao longo da parte central do
canal. Ressalta-se que nos casos onde a folga de água abaixo da quilha for crítica, a
cobertura total do fundo marinho será mandatória;
n) nos casos de levantamentos monofeixe classificados como Ordem 1b e
Ordem 2 (de acordo com a publicação S-44 da OHI), a incerteza vertical total (IVT), não
deve ultrapassar os valores limites listados na Figura 11, conforme as profundidades
dos locais do levantamento hidrográfico;
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o) a incerteza vertical total (IVT) é proveniente das incertezas dos sensores
do sistema de sondagem (ex.: posição, ecobatímetro, marés etc.). Os arquivos (brutos
e editados) relativos às LV devem ser gravados em separado dos arquivos relativos às
linhas regulares de sondagem;
p) durante o processamento batimétrico, deve-se usar os ecogramas como
base para a edição dos dados digitais. Sempre que for verificada a inexistência de
fundo no ecograma, deve- se retirar um dado do arquivo digital, sendo considerado um
spike, como mostrado na Figura 12. Caso contrário, este dado deve ser mantido até
a fase de produção da folha de bordo; e
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