DOU 20/10/2023 - Diário Oficial da União - Brasil

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Nº 200, sexta-feira, 20 de outubro de 2023
ISSN 1677-7042
Seção 1
Art. 2º A Atenção Primária deve ser a porta de entrada preferencial, principal
centro de comunicação da Rede de Atenção à Saúde - RAS e local que assume a maior
responsabilidade na ordenação do acesso e coordenação do cuidado do usuário de seu
território.
Parágrafo único. As pessoas atendidas pela Atenção Especializada apresentam,
num dado momento, a necessidade de cuidados mais intensivos e/ou diferentes daqueles
disponíveis na Atenção Primária, de modo que a Atenção Especializada deve desempenhar
um papel de apoio à Atenção Primária em um sistema de cuidados integrais.
Art. 3º A PNAES possui diretrizes, dimensões e eixos estruturantes que deverão
ser considerados na criação e reformulação de políticas e programas que tratem da
Atenção Especializada, ou que se relacionam com ela, e que deverão orientar o modo de
organização e funcionamento dos serviços de atenção especializada.
Art. 4º São diretrizes da Política Nacional de Atenção Especializada em Saúde:
I - ampliação e garantia do acesso da população a serviços especializados, em
tempo oportuno, com referência territorial e considerando as necessidades regionais,
garantindo a equidade no atendimento, a qualidade assistencial, a integralidade e a maior
efetividade e eficiência na aplicação dos recursos financeiros;
II - promoção da regionalização dos serviços de atenção especializada em saúde
e da integração com os demais serviços na perspectiva da Redes de Atenção à Saúde (RAS),
em consonância com as pactuações regionais e macrorregionais;
III - garantia da coordenação do cuidado e da continuidade assistencial, por
meio de planejamento da estruturação e oferta de serviços, fluxos assistenciais e
transporte sanitário em função das necessidades de saúde da população de um território
definido, no âmbito das regiões de saúde;
IV - promoção de um modelo de atenção centrado nas necessidades de saúde
das pessoas e no cuidado ao usuário, que engaje a pessoa na produção de seu cuidado e
favoreça o compartilhamento de decisões e a atuação interprofissional, interdisciplinar e
integrada das diferentes equipes e serviços;
V - fortalecimento da Atenção Primária, por meio do adensamento da sua
capacidade clínica, ampliação da sua resolubilidade, da sua capacidade de ordenação do
acesso e coordenação do cuidado, de forma articulada com a Atenção Especializada, por
meio da promoção da comunicação, corresponsabilização do cuidado, compartilhamento
das decisões clínicas e de gestão de recursos necessários entre profissionais, equipes e
serviços;
VI - promoção da cultura de segurança do paciente nos serviços especializados,
de acordo com suas especificidades, por meio de monitoramento, avaliação e controle de
estruturas, processos e resultados assistenciais, para garantir a qualidade no cuidado;
VII - estímulo à adoção de estratégias de formação, educação permanente,
valorização, provimento e fixação de profissionais de saúde, visando a melhoria da atenção
e a oferta de serviços com qualidade e em quantidade suficiente para garantir o acesso da
população, em especial aquela de territórios mais vulneráveis e com vazios assistenciais;
VIII - qualificação da regulação assistencial, centrada no usuário e produtora de
cuidado, na garantia da integralidade com critérios claros, equânimes e baseados em
diretrizes clínicas compartilhadas pelos serviços da RAS, visando monitorar, reduzir os
tempos de espera, minimizar o absenteísmo, evitar a realização de procedimentos
desnecessários, aumentar a transparência, fortalecer a coordenação do cuidado e
promover a vinculação, corresponsabilização e comunicação entre equipes demandantes,
ofertantes e usuários;
IX - promoção da disponibilização de transporte sanitário regionalizado que
busque garantir cuidado digno e deslocamento adequado, com financiamento tripartite;
X - estímulo ao uso oportuno e adequado de soluções e inovações de saúde
digital para compartilhar e interoperar informações e sistemas, tornar mais ágil e oportuna
a comunicação entre os pontos de atenção, melhorar a qualidade, a agilidade, a segurança,
a efetividade e a eficiência dos serviços presenciais e remotos e engajar usuários, visando
assegurar continuidade do cuidado, bem como evitar deslocamentos e procedimentos
desnecessários;
XI - promoção de novas modelagens de serviços de atenção especializada, com
a indução de boas práticas de atenção, educação, gestão e participação e a integração
desses serviços na RAS;
XII - promoção de maior participação do governo federal no custeio, em
pactuação com estados, Distrito Federal e municípios, diante do reconhecimento da
diversidade de arranjos de organização dos serviços de atenção especializada,
considerando o território e as desigualdades sociais e regionais;
XIII - gestão de tecnologia em saúde, considerando critérios de custo-
efetividade e a modernização do parque tecnológico, visando apoiar a transformação
digital do setor saúde, buscando a efetividade e eficiência do sistema de saúde, e o avanço
tecnológico.
XIV- promoção da articulação entre governos, instituições de ensino, pesquisa e
desenvolvimento e a sociedade, visando a produção e disseminação de conhecimentos, a
inovação e o desenvolvimento científico e tecnológico;
XV - substituição gradativa da forma de financiamento, alterando o modelo de
pagamento por procedimento para a remuneração em modelo fundado no cuidado
integrado e integral, na contratualização de metas qualitativas e quantitativas,
considerando os recursos aplicados pelas três esferas de governo, as especificidades
regionais, as pactuações nos espaços de gestão interfederativa do SUS e assegurando a
transparência e eficiência na aplicação dos recursos;
XVI - participação da sociedade e atuação do controle social no processo de
implementação, monitoramento e avaliação da política;
XVII - estímulo à práticas de gestão e de trabalho que assegurem a inserção das
ações de vigilância em saúde, promoção e prevenção em toda a Rede de Atenção à Saúde;
XVIII - oferta de cuidado especializado orientado pelo princípio da equidade,
promovendo a elaboração e implementação de estratégias que garantam o acesso e a
qualidade da assistência aos grupos vulnerabilizados nos serviços e equipamentos da RAS,
reconhecendo e respeitando as diversidades socioculturais e o enfrentamento do racismo
estrutural; e
XIX - desenvolvimento de ações de assistência farmacêutica e de uso racional
de medicamentos, de forma a garantir a disponibilidade e acesso a medicamentos e
insumos em conformidade com a Relação Nacional de Medicamentos (RENAME), os
protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas, e com a relação específica complementar
estadual, municipal, da União, ou do Distrito Federal de medicamentos nos pontos de
atenção ambulatorial e hospitalar, visando a integralidade do cuidado.
CAPÍTULO II
DAS DIMENSÕES DA PNAES
Art. 5º A estruturação da Atenção Especializada em saúde no SUS se dará
conforme as seguintes dimensões, que lastreiam os Eixos Estruturantes da PN A ES :
I - sistêmica;
II - organizacional; e
III - profissional.
Art. 6º A dimensão sistêmica trata da articulação dos serviços de atenção
especializada com os demais pontos de atenção e a integração das práticas profissionais,
de acordo com planejamento regional integrado, visando a implementação da RAS,
conforme o Anexo I da Portaria de Consolidação GM/MS nº 3, de 28 de setembro de 2017,
com ênfase no seu papel de apoio à atenção primária, com o objetivo de promover a
integralidade, a continuidade do cuidado e evitar o desperdício de recursos.
Art.
7º
A dimensão
organizacional
trata
do
modo como
os
serviços
especializados organizam suas equipes multiprofissionais de forma interdisciplinar para
garantir acesso, acolher, oferecer cuidado de qualidade aos usuários e prestar apoio,
mediante matricialmente, a outras equipes e serviços da RAS, contribuindo com a
regulação do acesso e a continuidade do cuidado da rede de atenção, seja por práticas
presenciais ou remotas.
Art. 8º A dimensão profissional trata da forma como os profissionais de saúde
dos serviços especializados promovem o cuidado interagem com os usuários, sendo
influenciada pela capacidade técnica dos profissionais, pela sua postura ética e capacidade
de se responsabilizar e produzir vínculo com os usuários, atuando de acordo com os
melhores saberes e técnicas clínicas disponíveis, com bom senso e ética.
CAPÍTULO III
DOS EIXOS DA PNAES
Art. 9º São eixos estruturantes da Política Nacional de Atenção Especializada
em Saúde:
I - planejamento ascendente de base territorial e organização dos serviços de Atenção
Especializada em Saúde na RAS de acordo com o Planejamento Regional Integrado (PRI);
II - modelo de atenção à saúde centrado nas necessidades de saúde da
população e com base na universalidade, integralidade e equidade;
III - fortalecimento e atuação integrada à Atenção Primária;
IV- integração da Atenção Especializada à Saúde com a Assistência Farmacêutica
e Vigilância em Saúde
V - regulação do acesso e coordenação do cuidado com equidade e
transparência;
VI - informação, comunicação e saúde digital;
VII - gestão dos serviços de atenção especializada;
VIII - formação, educação permanente, valorização, provimento e gestão da
força de trabalho em saúde; e
IX - financiamento.
Seção I
Planejamento ascendente de base territorial e organização dos serviços de At e n ç ã o
Especializada em Saúde na RAS de acordo com Planejamento Regional Integrado (PRI)
Art. 10. Os serviços de atenção especializada em saúde no âmbito do SUS
deverão ser ofertados de forma regionalizada, integrada aos demais pontos de atenção da
RAS e articulada a outras políticas de saúde e políticas intersetoriais, para garantir:
I - cuidado resolutivo e em tempo oportuno;
II - economia de escala e definição de escopo;
III - qualidade;
IV - efetividade;
V - sustentabilidade; e
VI - continuidade e coordenação do cuidado.
Art. 11. A disposição territorial, o escopo, a escala, o papel e a gestão dos
serviços de atenção especializada na RAS deverão ser resultados de planejamento
ascendente e participativo, que considere:
I 
- 
necessidades 
de 
saúde
da 
população 
bem 
como 
parâmetros
tecnoassistenciais, 
epidemiológicos, 
ambientais,
sanitários, 
demográficos 
e
socioeconômicos existentes;
II - características do território, abrangência territorial da população que será
referida a cada serviço, fluxos de deslocamento, disponibilidade de transporte sanitário e
vinculação entre serviços, para assegurar os fluxos assistenciais e promover uma
comunicação que viabilize a coordenação do cuidado;
III - capacidade instalada e programação da oferta, para evitar sobreposição e
conflitos entre os serviços da RAS, sejam públicos ou complementares;
IV - implementação de linhas de cuidado regionais com fluxos assistenciais,
pactuação e gestão compartilhada da demanda e da oferta, bem como de critérios e
mecanismos regulatórios, no âmbito do PRI;
V - gestão compartilhada, com ênfase na relação entre estado e municípios da
região de abrangência da RAS em questão;
VI - processos de pactuação e contratualização; e
VII - critérios de monitoramento e avaliação.
Art. 12. As instituições que atuam na atenção especializada à saúde, sejam de
natureza pública ou privada, com ou sem lucrativos, são responsáveis por cumprir
estritamente o estabelecido na pactuação com o gestor de saúde local, no que se refere
ao escopo, escala, papel, gestão, padrões de qualidade, promoção da segurança do
paciente, diretrizes e protocolos clínicos, critérios e mecanismos de acesso, ações de
cuidado compartilhado, apoio clínico, telessaúde, entre outros.
Seção II
Modelo de Atenção à Saúde centrado nas necessidades de saúde da população
e com base na universalidade, integralidade e equidade.
Art. 13. Os serviços de atenção especializada à saúde deverão ser centrados na
pessoa e suas necessidades, comprometida com a coprodução do cuidado entre sujeito,
família, equipes demandantes e ofertantes.
Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, os serviços devem ter equipes
multiprofissionais que atuem de modo interdisciplinar, visando a melhoria da situação de
saúde, do bem-estar e a ampliação da autonomia das pessoas e buscando os mais altos
graus de integralidade.
Art. 14. A equipe multiprofissional deverá:
I - responsabilizar-se pela pessoa que acessa o serviço;
II - proporcionar um atendimento acolhedor, que respeite as especificidades
socioculturais;
III - corresponsabilizar-se no cuidado no âmbito da RAS, buscando garantir a
continuidade do cuidado e a referência segura e informada ao próximo ponto da RAS, que
deverá continuar o atendimento ao usuário;
IV - orientar o usuário e familiares quanto à continuidade do cuidado,
preferencialmente, por meio de um plano de cuidado integrado com a Atenção Primária à
Saúde, reforçando a autonomia do sujeito e promovendo o autocuidado;
V - articular a continuidade do cuidado com os demais pontos de atenção da
RAS, garantindo a transição do cuidado e sua referência segura e informada, em particular
com a Atenção Primária; e
VI - articular a interlocução intersetorial com outros equipamentos e serviços
no território que possam complementar o cuidado para a promoção e reabilitação em
saúde e reintegração social do paciente.
Art. 15. O modelo de atenção à saúde no âmbito da atenção especializada
deverá contemplar um conjunto de dispositivos de cuidado que assegurem o acesso, a
qualidade da assistência, a coordenação do cuidado e a segurança do paciente.
§ 1º A clínica ampliada, a prática clínica centrada na pessoa e a gestão da
clínica deverão ser a base do cuidado para assegurar a sua qualidade e o vínculo entre a
equipe, o usuário e seus familiares.
§ 2º O Plano de Cuidado deverá ser elaborado e registrado em prontuário
compartilhado pela equipe multiprofissional, tendo as informações clínicas relevantes para
o cuidado disponíveis às equipes dos demais pontos de atenção.
§ 3º As equipes dos serviços especializados deverão desenvolver estratégias de
educação permanente, apoio clínico e cuidado compartilhado, incluindo apoio matricial,
interconsulta, navegação do cuidado e diversas ações de telessaúde (teleconsultoria,
teleinterconsulta, telediagnóstico, teleconsulta, telerregulação assistencial), propiciando
suporte nas diversas especialidades para as equipes de referência, visando a atenção
integral ao usuário.
§ 4º Deverão ser pactuadas e implementadas ações que assegurem a qualidade
da atenção e boas práticas em saúde, como protocolos e diretrizes clínicas, com vistas a
garantir a segurança do paciente, com intervenções seguras e resolutivas, de forma a evitar
ações desnecessárias e qualificar a assistência prestada ao usuário.
Seção III
Do fortalecimento e atuação integrada à Atenção Primária
Art. 16. Os serviços de atenção especializada devem atuar de modo articulado
e compartilhado com a atenção primária no cuidado à saúde das pessoas adscritas,
contribuindo para o aumento da sua resolubilidade.
Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, os serviços de atenção
especializada deverão:
I - estar vinculados a um território e a uma quantidade definida de serviços de
atenção primária;
II - compartilhar informações clínicas e promover a vinculação, comunicação e
tomada de decisões compartilhadas entre os profissionais e equipes de ambos serviços,
corresponsabilizando-se pela produção do cuidado dos usuários atendidos; e
III - definir conjuntamente protocolos de cuidado, de encaminhamento, de alta
responsável ou de continuidade do cuidado a outro ponto de atenção que, efetivamente,
oriente as práticas, fluxos e decisões de atenção e coordenação do cuidado.
Art. 17. Os serviços de atenção especializada devem, de acordo com o arranjo
local ou regional da RAS, estar estruturados e aptos a:

                            

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