DOU 26/10/2023 - Diário Oficial da União - Brasil
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Nº 204, quinta-feira, 26 de outubro de 2023
ISSN 1677-7042
Seção 1
4.2.5.5.4 Observações inexatas ou que não pertencem à população (Outliers)
Considerando-se que os dados obtidos mediante ensaios repetidos sob as mesmas condições podem gerar ou não dados pertencentes à distribuição de probabilidade da
população que se pretende, existe o risco de que se observem dados não condizentes com o comportamento esperado para determinada população. Na mesma toada da elaboração de
um teste de hipóteses, realizado com um viés mais qualitativo, a análise de dispersão dos dados em muitos casos se mostra funcional do ponto de vista de identificação de possíveis outliers.
Nesse contexto, cabe ao estimador verificar a presença desses outliers e fazer o julgamento sobre a sua manutenção no conjunto de pontos da regressão, evitando enviesá-la.
4.2.5.5.5 Validação da regressão
A validação da regressão, utilizando um teste de hipóteses, ajuda a evitar o erro de se usar uma relação estatisticamente sem significância, por não representar adequadamente
o parâmetro de interesse (custo). Assim, uma variável independente pode ser considerada insignificante se existir uma pequena probabilidade de seu coeficiente for igual à zero, indicando
que não existe relação com o custo, podendo ser desconsiderada. Se a regressão falhar em algum dos testes, o estimador de custos pode rejeitar a regressão. Neste caso, é possível testar
novas regressões com outras variáveis de interesse.
4.2.5.5.6 Hierarquia das regressões
Após aplicar os testes de hipóteses, o agente estimador poderá analisar e escolher a regressão que será usada na estimativa. Uma boa prática seria a hierarquização para a
escolha da regressão a ser utilizada, atribuindo preferência a:
a) maior força de associação entre as variáveis independentes e a variável dependente (custo);
b) utilizar os menores erros padrão. O desvio padrão é o desvio de seus pontos de dados em comparação com a média. Na análise de regressão, o erro padrão é esse desvio
em comparação com sua linha de regressão. Em ambos os casos, são desejáveis menores resultados tanto para o desvio padrão como para o erro padrão; e
c) regressões que atendam melhor aos critérios de informação de Akaike e Scwarz, ou algum outro critério descrito na literatura aplicável como relevante do ponto de vista
estatístico para hierarquizar regressões.
4.2.5.5.7 Cálculo da Variável Dependente (Custo)
Após a escolha da melhor regressão, poderá ser utilizado o valor do estimador do coeficiente da variável dependente na equação para obter o custo associado. É importante
certificar-se de que o valor da variável dependente do sistema que se quer estimar esteja dentro (ou, pelo menos, não muito fora) do conjunto de dados da CER. Usar valores fora do
intervalo dos dados que geraram a CER pode invalidar o relacionamento e distorcer os resultados.
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4.2.6 Estimativa de CCV por Engenharia (bottom-up)
4.2.6.1 Trata-se do método mais detalhado para implementação e, por isso, o mais demorado. É utilizado quando dados pormenorizados de projeto estão disponíveis
para o SD. Assim, a estimativa de custos de engenharia é utilizada, principalmente, durante as etapas de contratação, produção e operação/suporte. Pode ser denominada, também,
como estimativa bottom-up, ou de baixo para cima.
4.2.6.2 Nesse método, os componentes do SD são decompostos ao menor nível (como peças ou serviços), custeados separadamente e posteriormente agregados,
resultando na estimativa do custo total do sistema. A premissa é que os custos presentes reais são bons preditores de custos futuros. Normalmente, os estimadores de custos
trabalham com engenheiros para melhor detalhamento das estimativas.
4.2.6.3 Os processos e etapas que constituem o método de estimativa de custo por engenharia são:
4.2.6.3.1 Seleção do método de estimativa de engenharia: recomenda-se que a maturidade do projeto esteja avançada e que exista detalhamento de dados de custos,
para que seja dividido em pacotes de trabalho.
4.2.6.3.2 Revisão da EAC e dados / taxas de custo disponíveis: o primeiro passo da estimativa é entender o escopo de trabalho de determinado item do EAC para que
seja decomposto. É recomendada a consulta à um especialista para a garantia da integridade dos dados e consistência com outros pacotes de trabalho. Nessa etapa, o estimador
entende os recursos necessários e analisa os dados de custos disponíveis para a aplicação de taxas, se necessário.
4.2.6.3.3 Desenvolvimento do modelo de custo: simultaneamente, o estimador prepara o modelo de custo do respectivo elemento da EAC. O modelo necessita de
detalhamento em planilha, por especialistas, para cada tipo de recursos (mão de obra, materiais, equipamentos etc.). Os custos diretos são, então, somados aos custos indiretos
e despesas gerais. Com a prontificação da EAC, observa-se uma visão completa do modelo, bem como taxas e quantidades necessárias para cada recurso.
4.2.6.3.4 Para a obtenção dos dados necessários no início do projeto, recomenda-se a identificação de fontes de informação consistentes para o seu
desenvolvimento.
4.2.6.3.5 A estimativa do CCV é concluída após a definição dos custos, considerando uma margem de segurança e, posteriormente, a consolidação dos dados obtidos.
O resultado desse procedimento é a EAC.
4.2.6.3.6 Para se aferir a qualidade do modelo, recomenda-se comparar o resultado utilizando um método de estimativa diferente e menos detalhado, como a analógica
ou paramétrica, caso disponível. Na consideração do intervalo de incerteza, podem ser utilizadas análises de sensibilidade.
4.2.6.4 A título de exemplo, considerando que se deseja conhecer o custo de montagem e fixação de uma blindagem térmica para uma aeronave, onde este pode ser
decomposto nas seguintes categorias: Mão-de-Obra Direta (MOD), Mão-de-Obra Indireta (MOI) e Materiais. Considerando que a blindagem térmica tem massa de 35 quilogramas
e são necessárias 20 horas de MOD por quilograma de blindagem, ao custo de $95 por hora, pode-se afirmar que serão demandados 700 horas ×95 $ hora =$66.500 . O custo
da MOI pode ser estimado aplicando um fator (1,20 para este exemplo) no custo de MOD $66.500×1,20=$79.800 . Além disso, o custo dos materiais de blindagem térmica também
deve ser estimado. Este exemplo assume um custo de material de $15.000 por quilograma, o que implica em 35×$15.000=$525.000. Portanto, o custo total é obtido pela soma
de todas as categorias:
Custo=MOD+MOI+Materiais=$66.500+$79.800+$525.000=$671.300
4.2.6.5 Um resumo do método de estimativa de custo por engenharia, com os pontos fortes e fracos de sua aplicação, é apresentado na Tabela 7. A referida metodologia
pode ser aplicada em estimativas para construção, desenvolvimento de software e negociações.
.
Fo r ç a s
Fraquezas
. a) É intuitivo;
b) Credibilidade proveniente da visibilidade individualizada de custos;
c)
Fornece
excelentes
informações sobre
os
principais
geradores
de
custos;
d) É reutilizável, ou seja, facilmente transferível para uso em orçamentos,
projetos e cronogramas de performance;
e) Permite capturar e rastrear cotações/taxas de fornecedores; e
f) Sensível a flutuação de taxas e câmbio.
a) Demanda elevado esforço (mão de obra, tempo e recursos financeiros);
b) É suscetível a erros de omissão ou contagem dupla; e
c) Não fornece uma boa visão sobre os geradores de custos (por exemplo,
parâmetros que, quando aumentados, causam aumentos de custo significativos), tornando
muito mais complexo realizar análises de sensibilidade, risco e análise de incerteza.
Tabela 7 - Forças e fraquezas da estimativa de CCV por engenharia (Bottom-Up).
4.2.6.6 Estimativa de Custo de software por Ponto de Função
4.2.6.6.1 Técnica de nível internacional que quantifica e classifica as funcionalidades e os arquivos processados pelo software.
4.2.6.6.2 A estimativa de pontos de função busca fornecer uma avaliação aproximada do tamanho de um software utilizando métodos da contagem de pontos de função
através da técnica de estimativa.
4.2.6.6.3 Contagem realizada por meio de estimativa é o tipo de contagem mais aproximada, assumindo que as funções do tipo dado (ALI e AIE) são de complexidade
baixa e as funções transacionais (EE, CE, SE) são de complexidade média.
4.2.6.6.4 Com base nas regras do Manual de Práticas de Contagem (CPM 4.3), o processo de identificação e classificação das funcionalidades deverá ser iniciado com
o levantamento dos processos elementares ou grupos de dados. Em seguida, deverão ser classificados os arquivos lógicos internos (ALI), os arquivos de interfaces externas (AIE),
as consultas externas (CE), as entradas externas (EE) e as saídas externas (SE).
4.2.6.6.5 O estimador deverá realizar uma leitura no documento inicial de requisitos, buscando informações relevantes para a identificação de processos elementares, conforme figura a seguir:
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