DOU 01/07/2024 - Diário Oficial da União - Brasil

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Nº 124, segunda-feira, 1 de julho de 2024
ISSN 1677-7042
Seção 1
policies of the Party and the state within their own enterprise and shall support the board
of shareholders, board of directors, board of supervisors, and manager (or factory director)
in exercising their functions and powers in accordance with the law. They shall [...]
participate in making decisions on major issues in the enterprise. [...]
117. No caso de empresas não estatais, a Constituição concede às organizações
partidárias considerável poder de influência, em especial no que tange à constituição dos
sindicatos:
Primary-level Party organizations in non-public sector entities shall implement
the Partys principles and policies, guide and oversee their enterprises observance of state
laws and regulations, exercise leadership over trade unions, Communist Youth League
organizations, and other peoples group organisations, promote unity and cohesion among
workers and office staff, safeguard the legitimate rights and interests of all parties, and
promote the healthy development of their enterprises. (Grifo conforme petição).
118. O capítulo 11 do 13º Plano Quinquenal da China, que trata sobre como
melhorar o sistema econômico chinês, determina que:
We will ensure that public ownership is dominant and that economic entities
under diverse forms of ownership develop side by side. We will remain dedicated to
strengthening and developing the public sector of the economy while also encouraging,
supporting, and guiding the development of the non-public sector.
119. Segundo a peticionária, em síntese, constata-se a influência do governo
chinês na economia, mediante o estabelecimento de diversos mecanismos de controle, não
necessariamente relacionados à propriedade. Os diversos Planos Quinquenais e outros
documentos analisados no Documento de Trabalho Europeu refletiriam tal fato, sendo que
o 13º Plano Quinquenal, especificamente, seria significativamente relevante.
120. Nesse sentido, concluiu o Documento de Trabalho Europeu:
In practice, the socialist market economy system has meant that while market
forces have been mobilized to some extent, the decisive role of the State remains intact -
as reconfirmed in Articles 6 and 7 of the Constitution and subsequent legislation such as
Article 1 of the Law on State-Owned Assets in Enterprises. Therefore, even though today
the Chinese economy is to some extent made up of non-state actors (...), the decisive role
of the State in the economy remains intact, with tight interconnections between
government and enterprises (going far beyond the boundaries of SOEs) in place.
121. Além disso, especificamente no item "Intervenções Industriais", o
Documento de Trabalho Europeu afirmou:
(...) as discussed throughout this
report, Chinese industrial policy is
demonstrably interventionist and there is no sign that this will change in the foreseeable
future. A broad range of policy tools is available for the State to implement governmental
targets.
122. O Documento de Trabalho Europeu também destacou:
The role of the local government in economic development in China is
substantive. The Chinese government system is highly centralized in official appointments
but, at the same time, quite decentralized in economic development activities. The central
government controls the power over regulation, resource allocation, quotas, and approval
of numerous activities; the central level, however, relies on the cooperation of local
governments in implementing and achieving the set policy goals. (Grifo conforme
petição).
123. O documento WT/TPR/S/415, de 2021, da Organização Mundial do
Comércio (OMC), que trata do exame de políticas comerciais da China, informa que não
houve mudanças na legislação que trate de controle de preços:
3.3.4.2 Price controls
3.190. There were no changes to the legislation concerning price controls
during the review period. Article 18 of the Price Law authorizes the competent authorities
to carry out, when necessary, price controls over: (i) products that have a significant
bearing on the national economy and people's livelihoods; (ii) a limited number of rare
products; (iii) products of natural monopoly; (iv) key public utilities; and (v) key public
services. Laws and regulations on specific industrial/service sectors may also contain
provisions on price administration that reaffirm that relevant business operators or service
providers should follow the principles and rules set out by the Price Law. These laws and
regulations include, inter alia, the Pharmaceutical Administration Law, the Railway Law, the
Postal Law, the Compulsory Education Law, the Notary Law, the Decision of the Standing
Committee
of
the National
People's
Congress
on
the Administration
of
Judicial
Authentication, the Civil Aviation Law, and the Commercial Bank Law. Laws and regulations
related to price controls are summarized in Table 3.20.
3.191. Price controls take two forms: "government-set prices" or "government-
guided prices". Government-set prices are fixed prices set by the competent authorities,
while government-guided prices are prices set by business operators within a range of
prices set by the competent pricing
departments or other related government
departments, within which the real price is allowed to fluctuate. The determination of
government-set prices or government-guided prices varies according to the type of product
or service. Consideration is usually given to the market situation and average social costs,
as well as economic, regional, and seasonal factors, and development and social needs.
(notas de rodapé omitidas)
124. O Documento WT/TPR/S/415/Rev.1, da OMC, não informa alterações
significativas no que diz respeito ao segmento produtivo. Não obstante, traz informações
relevantes para a análise do caso:
2. The outbreak of the COVID-19 pandemic in early 2020 had a major impact on
output and employment. At the beginning of 2020, Chinas economy contracted by 6.8%.
125. De acordo com a peticionária, essa informação é relevante, pois os efeitos
da pandemia foram sentidos não somente na China, mas também nos demais mercados,
inclusive o brasileiro.
1.6 The Covid-19 pandemic has posed an unprecedented shock to Chinas
economy. Besides, inflicting human costs, it has had a major impact on output, trade and
employment. At the beginning of 2020, economic growth fell to its lowest level in 40
years.
(...)
3.127 Given the importance of the Chinese economy and the size of
government support accorded to individual companies, Chinas support measures are
reported to be susceptible to affect global markets, downstream industries, and individual
value chains. Such effects of Chinas support cannot be quantified in general, as relevant
data are not publicly available.
126. Esse cenário não seria novo. No que diz respeito à China, as informações
não seriam de fácil acesso, especialmente com relação a políticas adotadas no nível
provincial.
127. Quanto à propriedade das empresas, o documento da OMC afirma:
3.199 In Chinas economy, state ownership of companies is important and
coexists with diverse forms of private ownership. State participation varies from wholly
SOEs and majority state ownership to the State acting as another shareholder.
(...)
3.202. The State-Owned Asset Supervision and Administration (SASAC) is in
charge of contributing capital to, and appointing top managers in SOEs under its
management. It acts as representative of the Government and is directly subordinated to
the State Concil.
(...)
3.203. The legal status of SOEs varies from fully Government-owned entities to
stock companies with the State or states agencies as the dominant stockholder. Hence,
many large and formally private companies that may even be traded on the stock market
have the State as an important of major shareholder (...).
128. Além da conhecida influência do estado, por meio de mecanismos
complexos e pouco transparentes segundo a peticionária, seria importante considerar:
4.92 China is the worlds largest producer of industrial goods. In 2018, with a
total value-added amounting to some USD 4 trillion, the Chinese manufacturing sector
accounted for 28% of global manufacturing output. The sector is an important driver of
Chinas economy.
(...)
4.94 A number of policy initiatives remain in force to address the challenges
facing manufacturing activities and further develop the sector.
129. A peticionária concluiu indicando que, de acordo com o Fundo Monetário
Internacional (FMI), a "economia da China deverá crescer 5,4% este ano [2023], graças a
uma forte recuperação após a pandemia da Covid-19". Segundo informações apresentadas
pela peticionária, o FMI revisou para cima uma projeção anterior de avanço de 5%.
130. Por todas as razões antes apresentadas, a BMB requereu que a autoridade
investigadora reconhecesse que, no segmento produtivo em questão, não prevalecem
condições de economia de mercado.
131. Posteriormente, em resposta ao pedido de informações complementares à
petição, a BMB reiterou que decisões anteriores foram tomadas pela autoridade
investigadora no sentido de considerar que não prevalecem condições de economia de
mercado no segmento produtivo de cordoalhas de aço. Outrossim, a peticionária também
ressaltou o entendimento já exarado pela autoridade investigadora sobre o aumento da
participação da China na capacidade ociosa mundial, que teria crescido sem se fazer
acompanhar de aumento proporcional da demanda. Sobre esses aspectos, a peticionária
transcreveu trechos da Resolução GECEX nº 485, de 2023, a qual prorrogou o direito
antidumping aplicado sobre fios de aço, mesmo segmento produtivo das cordoalhas de aço
para pneus.
132. Trecho extraído da Resolução GECEX nº 485, de 2023, apontou que:
174. Dessa forma, seria possível
argumentar que a China contribuiu
significativamente para o excesso de capacidade de aço no mundo, especialmente a partir
de 2008.
133. Outro aspecto relevante diz respeito à lucratividade, afetada pelo excesso
de capacidade, de forma que:
177 (...) No nível global, os efeitos do excesso de capacidade são transmitidos
através do comércio; excesso de capacidade pode levar a surtos de exportação, levando a
queda de preços e perda de quota para produtores domésticos concorrentes na
importação (OCDE, 2015).
134. E importante, ainda, considerar que:
Dados atualizados da OCDE, apresentados no Relatório Latest Developments in
Steelmaking Capacity 2023, indicam que a expansão da capacidade continua a um ritmo
robusto, frequentemente em busca de mercados para exportação. Apenas em 2022, a
capacidade global de produção de aços aumentou em 32,1 milhões de toneladas métricas
(mmt) alcançando 2.549,1 mmt, o nível mais elevado de capacidade global da história. O
relatório ainda indica que a capacidade de produção mundial deve continuar a expandir
nos próximos anos, sendo que a China e a Índia, os dois maiores produtores de aço,
continuarão a representar cerca da metade da capacidade global de produção de aço.
O relatório aponta ainda que a capacidade de produção de aços na China foi
reduzida por quatro anos consecutivos, até 2018. Contudo, tal capacidade tem aumentado
desde então, de modo que alcançou 1.149,9 mmt, em 2022.
O DECOM já identificou, em investigações de defesa comercial anteriores, que
a margem de lucro das indústrias siderúrgicas chinesas é, em média, mais baixa do que a
de suas congêneres do resto do mundo. Ademais, esta margem de lucro teria se reduzido
significativamente no período posterior a 2008, em linha com o aumento da capacidade
ociosa observada no período. Segundo a McKinsey, estas margens não permitiriam a
sobrevivência das empresas nem mesmo no curto prazo.
135. A peticionária acrescentou que dados recentes demonstram que esse
cenário não mudou. A propósito, o documento supramencionado, Steelmaking Capacity
2023, concluiu que:
Global steelmaking capacity continues to increase at a rapid pace in a period of
weakening steel market conditions. A total of 329 steel investment projects are either
currently underway or in the planning stages around the world. The three-year period of
2023-25 alone will see an additional 59.9 mmt of capacity coming on stream, with an
additional 106.2 mmt potentially being added according to announced plans by steel
companies. In total, therefore, gross capacity additions could amount to 166.1 mmt
globally from 2023 to 2025.
136. Assim, a leitura dos documentos mencionados somada à análise da
autoridade investigadora em casos precedentes permitiria concluir que o excesso de
capacidade instalada indicaria interferência do governo, de forma a impedir ajustes que
ocorreriam em mercados competitivos. Isso poderia ser explicado por diversos fatores,
como a atribuição de importância estratégica à indústria do aço. Além disso, em cenários
de crise, a atuação do governo também poderia ocorrer no sentido de preservar o
emprego e evitar outros problemas que decorreriam da redução da capacidade
instalada.
137. Com efeito, a BMB recordou que de acordo com a Resolução GECEX nº
485, de 2023:
222. (...) a variedade e o nível de concessão de subsídios, em conjunto com
outras formas de intervenção governamental, poderão resultar em tamanho grau de
distorção dos incentivos que, no limite, acabam fazendo com que deixem de prevalecer
condições de economia de mercado em determinado segmento.
223. De fato, todos os dados apontam para um alto nível de concessão de
subsídios do setor siderúrgico chinês. (...) Com base em dado extraído do Integrated Trade
Intelligence Portal (I-TIP) da OMC, referente aos códigos SH 72 e 73, foram iniciadas 78
investigações de subsídios sobre as importações chinesas de aço até 2020, sendo todas
elas iniciadas depois de 2007.
138. Sobre a estrutura de mercado e a participação do controle estatal na
China, a Resolução GECEX nº 485, em alusão ao Relatório "Empresas Estatais no Setor de
Aço", da OCDE (2018), trouxe que:
184. (...) De acordo com o mesmo estudo, os governos teriam vários motivos
para intervir no setor siderúrgico, que muitas vezes é considerado estratégico, uma vez
que serviriam a propósitos de desenvolvimento industrial ou mesmo de defesa nacional.
185. (...) a definição de empresas estatais (SOEs - State Owned Enterprises) é
complexo, porque envolve determinar o grau de controle que o estado pode exercer sobre
uma empresa. (...).
186. Ademais, mesmo na ausência de controle estatal, os regulamentos ou a
presença nos órgãos de governança da empresa podem fornecer margem suficiente para
o Estado influenciar o processo de tomada de decisão.
139. A BMB acrescentou informação obtida no sítio eletrônico de uma das
empresas produtoras chinesas, Jiangsu Yier Mechanical and Electrical Co., segundo a
qual:
Jiangsu Yier Mechanical and Electrical Co., Ltd. implements the arrangements of
the Party Central Committee and the State Council on deepening the reform of state-
owned enterprises, and in accordance with the relevant requirements of the State-owned
Assets Supervision and Administration Commission to make the enterprise bigger and
stronger, it will continue to promote enterprise reform, further adjust and optimize the
industrial structure, rationally allocate resources, and improve core competitiveness,
comprehensively improve the quality of the enterprise, face both the international and
domestic markets, and strive towards more ambitious goals.
140. A leitura do trecho transcrito demonstraria que a empresa em questão
seria estatal e que estaria sujeita a forte influência do Comitê Central do Partido Comunista
e do Conselho de Estatais, de acordo com a Comissão de Supervisão e Administração de
Ativos do Estado.
141. Ainda a propósito das empresas produtoras das cordoalhas em questão
identificadas, a peticionária ressaltou que todas estariam situadas nas regiões de
Shandong, Jiangsu ou Zhejiang, especificamente mencionadas pelo 13º Plano Quinquenal,
que lista as províncias que adotaram planos específicos em conexão com o 13º Plano
Quinquenal: "Table 2: Plans for provinces and provincial-level municipalities and
autonomous regions adopted in connection with the 13th FYP". Segundo a peticionária, tal
fato demonstraria a existência de forte interferência do governo chinês no segmento
produtivo em questão.
142. A Circular SECEX nº 10, de 2024, ao mencionar investigação na qual se
concluiu pela existência de subsídios acionáveis nas exportações de produtos planos
laminados a quente da China para o Brasil, e de dano à indústria doméstica decorrente de
tal prática (Resolução CAMEX nº 34, de 2018), apontou que:
Assim, as políticas industriais chinesas determinam que os governos central e
locais devem alocar, de modo preferencial, terrenos para o desenvolvimento de indústrias
prioritárias, entre elas a indústria siderúrgica. Além disso, a Decisão nº 40 do Conselho de

                            

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